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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

FUNDO DO MAR

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.


Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.


Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso




de: Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tudo ao contrário

O menino do contra

queria tudo ao contrário:

deitava os fatos na cama

e dormia no armário.



Das cascas de ovos

fazia uma omolete;

para tomar banho

usava a retrete.



Andava, corria

de pernas para o ar;

se estava contente

punha-se a chorar.



Molhava-se ao sol

secava na chuva

e em cada pé

usava uma luva.



Escrevia no lápis

com um papel;

achava salgado

o sabor do mel.



No dia dos anos

teve dois presentes:

Um pente com velas

e um bolo com dentes



de: Luísa Ducla Soares

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Reino da Multiplicação

No reino da multiplicação

quem manda é o multiplicador,

porque multiplica toda a gente

até os que têm dor.



O multiplicando está sempre feliz

pois é sempre multiplicado,

muito, muito, muito

até ficar bem educado.



Aqui quem não falta

é o produto total,

está sempre contente

e é muito formal.



Todos eles juntos

formam a multiplicação.

Não vivem uns sem os outros,

numa qualquer avaliação.



Tiago Nunes

domingo, 13 de dezembro de 2009

Reino da Multiplicação

No reino da multiplicação

vivia um pequeno X

Tinha um grande coração,

e lá era feliz.



Quando fazia alguma coisa,

normalmente eram asneiras,

Até partia cadeiras,

fartos estavam os pais

dos estragos nas madeiras.



Um dia o X

que queria ser cowboy

salvou num lago, um senhor

e tornou-se num herói.







Rita

Uma poesia de Multiplicar

Multiplicações aos milhões

Com inúmeras soluções.

Trinta a multiplicar por dois ...

São oitenta

Não, são mesmo sessenta!





Números, números e mais números…

Vejam como eles crescem

A multiplicar,

parece que estão a jogar!





Afonso Ferreira